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conjuntura educacional
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“A escola, a família e o professor devem receber apoio: a inclusão é responsabilidade de todos”

Arimar Martins Campos, coordenadora da seção de atendimento a necessidades educacionais especiais da prefeitura de Santos

 

Quais as principais conquistas do município de Santos em relação à Educação Inclusiva?

Nossa principal conquista foi o o rompimento com o paradigma centrado na idéia de integração em favor de um “outro”. Mas isso não aconteceu da noite para o dia, na verdade está sendo um processo fomentado por uma nova ética, a ética da diversidade. Essa ética é um legado de mobilização das pessoas que acreditavam e que acreditam em um tratamento não-discriminatório das pessoas com necessidades educacionais especiais. O direito de participar nos espaços e processos comuns de ensino e aprendizagem realizados pela escola está previsto na legislação e nas políticas educacionais.

Nesse sentido, quais as ações desenvolvidas?

O primeiro passo foi incluir com responsabilidade, ou seja, não basta incluir alunos com necessidades específicas de aprendizagem sem levar em conta que tanto a escola, como a família e o professor devem receber apoio: professor auxiliar, parcerias com a secretaria de saúde, atualização pedagógica por meio de cursos de formação para educadores, assim como receber visitas periódicas de acompanhamento de especialistas para novos direcionamentos e solicitações. E este passo foi dado. Atualmente, contamos com 135 profissionais especializados, 144 professores auxiliares nas salas de Ensino Regular no Ensino Fundamental e 38 professores auxiliares na Educação Infantil. Oferecemos formação continuada aos gestores, professores de Educação Especial, profissionais que atuam como auxiliares e também inspetores, são reuniões mensais. São mais de 2.000 crianças atendidas.

Como a senhora acha que o professor deve ser preparado para lidar com alunos com deficiências?

Existe uma polêmica em torno da educação especial e a formação de professores. Em Santos, nós incentivamos a construção de uma disciplina em alguns cursos de pedagogia e essa disciplina chama-se Educação Inclusiva. Aprende-se noções básicas apenas, o que realmente é necessário. O professor pode sair do curso sem saber das especificidades do braile, o que é natural, mas ele saberá acolher, sem preconceito.

E quais os principais desafios que ainda restam no município?

Um de nossos principais desafios, além de ampliar o atendimento às crianças, é o de oferecer subsídios à comunidade, para aproximá-la, sensibilizá-la e conscientizá-la.

Em relação ao financiamento em geral e ao repasse do Governo Federal especificamente, os mecanismos existentes são hoje suficientes na prática? Quais os principais entraves?

Os principais entraves estão relacionados à morosidade dos processos de liberação das verbas solicitadas, visto que trabalhamos com calendário escolar e dependemos destas verbas para implantarmos os projetos necessários, que darão sustentação ao desenvolvimento pedagógico dos alunos.

Sabemos que a tendência é que aumentem cada vez mais as matrículas dos alunos com necessidades educacionais especiais na Educação de Jovens e Adultos. Existe algum programa específico para essa modalidade de ensino?

Sim. A própria EJA é basicamente um modelo de inclusão. São desenvolvidos projetos específicos para a participação efetiva e cidadã na sociedade. Os alunos com necessidades educacionais especiais na EJA possuem professores especializados acompanhando o processo que nem sempre tem seu enfoque na escolarização. Estes projetos têm como principal objetivo desenvolver em cada aluno suas potencialidades. Cito alguns: “Inclusão e Cidadania na EJA”, “Parceiros do Saber” e “Curso Modular Presencial”.

 

 

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