A opinião do Observatório
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Educação inclusiva, responsabilidade de todos

Normas nacionais e internacionais sobre direitos educativos asseguram e recomendam a matrícula das pessoas com deficiência dentro do sistema regular de ensino. Em 1998, havia em todo o País aproximadamente 44 mil alunos com necessidades educacionais especiais matriculados na rede regular - o que representa 13% do total, segundo os dados do Censo Escolar 2005. Os demais estavam em classes especiais ou escolas especializadas. Seis anos mais tarde, já passava de 262 mil na rede regular - ou 41% do total.

Por trás do crescimento no número de matrículas, porém, não faltam desafios às redes de ensino, educadores, pais, alunos e sociedade civil. Como tem ocorrido a inclusão das pessoas com deficiência nas escolas? Que tipo de preparação deve ter os educadores para recebê-las?

Estes e outros temas foram abordados nesta edição do Ebulição e pautaram o debate “A inclusão de alunos com deficiência na rede regular de ensino”, realizado pela Ação Educativa em 5 de setembro. A complexidade do tema pode ser observada por sua invisibilidade social – a mídia concede mais espaço para o tema da educação especial do que para a educação inclusiva. Mas também pode ser observada na insegurança de professores, na preocupação dos pais; e na ausência de investimentos públicos para adequar as escolas – é impossível atender satisfatoriamente crianças em salas superlotadas e esta situação é agravada quando algumas dessas pessoas requerem atenção especial na aprendizagem.

Faltam recursos, mas também faltam atitudes, como ressaltam os pais de alunos. Atitudes de quebra de preconceitos; atitude de respeito por ritmos e possibilidades individuais; atitudes de rever práticas e processos de ensino e também de avaliação.

Precisa mudar o poder público – mais recursos são indispensáveis; precisa mudar a escola, realizando a adequação física e pedagógica - mas precisa também mudar a sociedade civil.

Mudar no sentido de quebrar preconceitos, e também em sua ação de mobilização para exigir direitos. Afinal, quem são os todos que cabem na educação pública, assegurada como direito universal?

A julgar pelos artigos e entrevistas contidas neste Ebulição, ainda há um longo caminho a ser percorrido para a concretização da educação realmente inclusiva, com lugar para todas as pessoas, independentemente de suas necessidades ou condições de aprendizagem. Tarefa de todos nós.

 

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