Análise da cobertura da mídia
para as questões educacionais
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Órgãos governamentais pautam Educação Escolar Indígena na mídia impressa

A análise das reportagens, artigos e editoriais publicados em 68 veículos de jornalismo impresso em todo o País, entre janeiro de 2005 e janeiro de 2006, mostra que o tema tem sido pouco explorado: foram encontrados apenas 78 textos sobre educação escolar indígena, sendo a maioria deles em jornais das regiões Norte e Nordeste.

Grande parte dos textos foram estimulados por ações governamentais e predominam as fontes oficiais. Representantes das comunidades envolvidas, notadamente pais e alunos indígenas, são pouco ouvidos. De maneira geral, as reportagens não tiveram continuidade, impedindo o acompanhamento de possíveis desdobramentos e impactos das ações noticiadas; parte das notícias são reduzidas à função de agendar eventos.

Financiamento foi principal enfoque

O repasse de verbas pelo Governo Federal foi o principal estímulo à abordagem, considerando que 2006 tem o maior orçamento previsto para essa modalidade de ensino. As notícias sobre formação de professores, implementação ou reforma de escolas indígenas ou produção de material didático, em sua maioria, estavam relacionadas a esse aspecto. Os futuros repasses por meio do Fundeb como fonte para formação de professores foi destaque no Correio da Paraíba, 28 de dezembro, e no editorial do Jornal Opção (GO), em 20 de novembro. Os recursos do Banco Mundial para reforma de escolas indígenas foi abordado pelo Correio da Bahia em 23 de novembro.

Ainda vinculada ao financiamento, matéria do Jornal do Commércio (PE) de 14 de maio fala sobre a falta de merenda escolar nas escolas indígenas daquele estado, menciona que as crianças não estão acostumadas ao tipo de alimentação enviada, mas deixa de lado a oportunidade de explicar e aprofundar a diversidade cultural expressa nos hábitos alimentares indígenas, e as conseqüências dessa interferência para a vida das comunidades.

O artigo de Magno de Aguiar Maranhão, publicado no Jornal do Estado (PR) em 4 de julho, e a reportagem de Renata Cafardo em O Estado de São Paulo, 16 de agosto, apresentaram abordagens diferenciadas do financiamento. O primeiro refletiu sobre o repasse a partir dos desafios colocados pela educação escolar indígena. Já o segundo abordou a oferta de ensino superior para professores indígenas na Universidade de São Paulo. O texto apresenta números sobre a população indígena em São Paulo, traz depoimentos de uma professora e um aluno indígenas que apontam as dificuldades encontradas tanto na estrutura das escolas como nas práticas de educação indígena.

Entre as notícias sobre cursos e seminários publicadas no período, chamou a atenção pela dimensão regional, a de 7 de outubro, do Correio da Paraíba, que anuncia a participação de sete estados em encontro destinado à elaboração da “Carta do Nordeste”, documento que tinha como objetivo firmar compromissos por parte de órgãos governamentais, organizações da sociedade civil e Ministério Público.

Merece destaque a reportagem do Correio Braziliense, de 29 de setembro, que denuncia a precariedade da educação escolar indígena. Para ser ainda mais ampla, faltou a diversificação das fontes, que poderiam apresentar depoimentos de pais e alunos indígenas. Em contrapartida duas matérias sobre a audiência pública sobre a violação dos direitos dos índios na área da educação foram publicadas na Gazeta de Alagoas e na Tribuna de Alagoas em 10 de dezembro. A audiência foi realizada a pedido da Relatoria Nacional para o Direito à Educação da Plataforma Nacional de Direitos Humanos, Econômicos, Sociais e Culturais, portanto trata-se de uma pauta gerada a partir de uma ação da sociedade civil.

Outra matéria a ser observada é a do jornal Zero Hora (RS) 22 de janeiro de 2005, sobre o cacique Valdonez, da Reserva da Guarita, que reivindica contratação exclusiva de professores indígenas para que a língua do seu povo não seja perdida. O jornalista Eduardo Cecconi ouviu a posição do cacique, de uma candidata não índia que desistiu de concorrer às vagas oferecidas, do Conselho de Educação Escolar Indígena e de uma especialista em educação Guarani. Novamente, faltou o posicionamento da comunidade escolar indígena envolvida.

A reduzida, e ainda restrita, cobertura jornalística sobre o tema contrasta com as metas previstas no Plano Nacional de Educação (PNE), que estabelecem a universalização do ensino de 1ª a 4ª série e ampliação das vagas de 5ª a 8ª para a população indígena. Esses compromissos devem ser cumpridos até 2011.

Para saber mais sobre o histórico da Educação Indígena no Brasil leia o Temperatura . Confira o clipping com algumas matérias analisadas.

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