Educação e Comunicação: cada vez mais relacionadas
É grande a variedade de formas sob as quais podem e são pensadas as relações entre comunicação e educação. Há estudos e experiências que reforçam a comunicação como uma ferramenta importante para o aprendizado, destacam a mídia como um espaço educativo e de formação privilegiado, outros defendem a educação para os meios de comunicação como maneira de formar cidadãos mais críticos. Nesta edição, três especialistas ajudam a ampliar o debate sobre a relação entre esses dois conceitos. Ismar de Oliveira, professor e coordenador do Núcleo de Comunicação e Educação da Escola de Comunicações e Artes da USP, traz a visão de quem estuda e pesquisa o assunto no meio acadêmico, mas também aplica esses conceitos em projetos em redes públicas de ensino. Para ele, a educomunicação ocorre quando a comunicação é o eixo condutor de práticas sociais intencionalmente educativas. A relação entre esses dois campos, acredita Ismar, deixou de ser vista apenas como “troca de ferramentas e de intencionalidades”, com a comunicação oferecendo recursos à educação ou “a educação garantindo audiência e mercado para a comunicação”. Trata-se de algo mais amplo, que permite ampliar a capacidade de expressão dos sujeitos envolvidos. Bia Barbosa, jornalista e editora de Direitos Humanos da Agência de Notícias Carta Maior, tem o olhar da profissional de um meio de comunicação interessada em debater a influência e a contribuição da mídia para o campo educacional. Ela chama a atenção para a concentração da propriedade dos meios de comunicação no Brasil, que “impede a livre manifestação do pensamento e a construção de conhecimento a partir do debate de idéias”. A partir disso, discute a democratização do poder da mídia pela educação, relação que potencializa uma sociedade mais igualitária. Luiz Roberto Alves, professor e pesquisador da Universidade Metodista de São Paulo, ex-professor da rede pública estadual e ex-secretário municipal de educação de Mauá e São Bernardo do Campo, também é um pesquisador do tema, além de ter a experiência da sala de aula e da gestão da educação pública. Ele defende a proximidade intrínseca entre os saberes educacionais, comunicacionais e culturais, que teriam sido sistematicamente separados ao longo do tempo, e se recusa a estabelecer “raciocínios simples” a respeito da relação entre comunicação, educação e cultura. Cada vez mais, uma pluralidade de atores sociais, como organizações não governamentais, universidades e poder público, reconhecem a importância das inúmeras relações entre educação e comunicação. Sem dúvida, a evolução e o acesso às novas tecnologias contribuem para esse processo. O tema ganha espaço e visibilidade, o que nos desafia a pensar em como promover de fato essa integração nas ações cotidianas dos ambientes escolares e de fora dele.