Educação
e democratização do poder da mídia
Bia Barbosa
Jornalista e editora de Direitos Humanos da Agência de Notícias Carta Maior
Nos últimos 30 anos, a escola tem perdido espaço para a mídia no papel de socialização política dos cidadãos. Culturalmente, hoje a mídia condiciona a maneira como interpretamos o mundo, tendo deixado de ser mera transmissora de informações para ser construtora do próprio conhecimento humano. A centralidade dos meios de comunicação em massa na construção das representações da realidade, que orientam o comportamento cotidiano das pessoas – independentemente de classe social, raça ou gênero –, está, portanto, diretamente relacionada ao processo educativo da sociedade.
Essa é apenas uma das relações entre comunicação e educação – poderíamos citar o exemplo de como práticas de comunicação são inovadoras no processo de aprendizado dentro da sala de aula, independente do conteúdo estudado; não faltam projetos de sucesso para serem lembrados, alguns que se transformaram até em políticas públicas.
No entanto, parede fundamental analisar como a concentração da propriedade dos meios de comunicação por pouquíssimos grupos impede a livre manifestação do pensamento e a construção de conhecimento a partir do debate de idéias. Diversidade significa a presença na mídia de diferentes visões e opiniões. Mas enquanto países como França, Inglaterra e até Estados Unidos avançam no sentido de garantir uma mídia plural, no Brasil as telecomunicações e as tecnologias de informação estão entre os setores com maior número de fusões. E, como escreveu o professor Venício Lima, estudioso da comunicação, quando diversidade e pluralidade não existem “num cenário em que a mídia é uma escola invisível que disputa com a escola real o espaço de representação do mundo”, a coisa se complica.
Uma das soluções para tal dilema seria fazer da sala de aula um espaço de aprendizado para a interpretação da mídia e de experimentação e articulação para o fortalecimento de outras vozes – via produção e veiculação de informação dentro do ambiente escolar. Aquilo que chamamos de leitura crítica dos meios de comunicação, ou de educação para a mídia, poderia, inclusive, ser uma importante ferramenta para buscar a solução para este problema: a democratização do poder da mídia baseada na educação. Uma relação de mão dupla cuja afinidade e aproximação são, certamente, potencializadoras de uma sociedade mais igualitária.