Análise da cobertura da mídia
para as questões educacionais
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Cobertura sobre educação e comunicação é acanhada e sem profundidade

Nos últimos dois meses (abril e maio) poucas matérias que pautassem mídia e educação, educomunicação, comunicação e educação, tecnologias de comunicação e educação foram publicadas. Mesmo que existam as mais diversas formas de se pensar as relações entre comunicação e educação, os textos veiculados pelos principais jornais e revistas do país ficaram limitados a informar projetos implementados por governos em escolas e eventos de discussão sobre comunicação para profissionais de comunicação.

As duas matérias que fugiram um pouco dessa regra foram publicadas no Diário da Manhã (GO) em 19 de abril e no A Tarde online de 3 de abril. A matéria do Diário da Manhã informa sobre o curso de especialização para professor e comunicador no uso de veículos de comunicação em atividades pedagógicas. O texto elenca as discussões que serão realizadas durante o curso: a influência da mídia na formação da criança e do jovem e a análise crítica de programas de TV, sítios na Internet e publicações voltados para a educação.

A matéria também traz o depoimento da coordenadora do curso, que problematiza a crítica que as escolas fazem sobre a influência da mídia na educação e a posição dos educadores que não sabem como trabalhar os meios de comunicação como recurso didático. Apesar de um pouco mais próxima de discussões relevantes sobre educação e comunicação, a matéria não expõe, em momento algum, a questão da comunicação, da informação e do controle desses instrumentos como um direito de participação cidadã.

Outra abordagem que foge um pouco à regra, publicada no A Tarde on-line , é uma reportagem sobre várias iniciativas desenvolvidas na região do semi-árido nordestino, entre elas a experiência dos jovens da Agência Mandacaru, que trabalham com diversas mídias e produzem notícias para os movimentos sociais da região. O espaço para tratar todos os aspectos da questão é pequeno, mas oferece pistas de como pode se dar o uso e a apropriação da comunicação e dos instrumentos de tecnologia no desenvolvimento de uma formação cidadã e dos efeitos que essa prática pode ter nas comunidades.

Algumas notícias são apenas informativos sobre projetos desenvolvidos pelo governo; um bom exemplo dessa abordagem é a curta notícia, veiculada no Jornal de Brasília de 30 de maio, intitulada Extensão para o Ensino Médio . Ela apenas divulga que um programa de educação a distância será implementado pelo governo federal nas instituições públicas de ensino superior, mas não diz como ele beneficia o ensino médio nem estimula a reflexão sobre o programa, que se chama Mídias na Educação, ou sobre a plataforma que será lançada na mesma ocasião, a e-ProInfo.

O Jornal da Tarde , de 9 de maio, e a Folha de S. Paulo , de 26 de abril, falam sobre o programa Educom.rádio, iniciativa em que a prefeitura de São Paulo instala kits de rádio em escolas da rede municipal. O Jornal da Tarde publicou uma matéria curta, voltada para a utilização positiva que os alunos de uma escola fazem do material. A Folha reserva um espaço um pouco maior para o texto e dá preferência ao aspecto técnico do material, abordando principalmente questões problemáticas como manutenção e quantidade insuficiente de escolas que receberam e utilizam os kits .

No jornal O Estado de S. Paulo de 25 de abril, o texto explica como funcionará o projeto Casa Brasil, programa de inclusão digital do governo federal que deve ser implantado em centros comunitários. A jornalista aproveita a oportunidade para comparar essa idéia com a experiência dos telecentros, realizada na cidade de São Paulo, e dos infocentros do governo do Estado de São Paulo.

O Correio do Povo (RS) e o Jornal do Commércio (PE), na mesma data, 15 de abril, falam de um evento para estudantes e profissionais de comunicação. A única ligação que a notícia tem com a questão da educação é o fato de o evento interessar a estudantes da área de educação e ser realizado em instituições de ensino superior. O mesmo acontece no O Globo on–line de 7 de abril, que traz um artigo de Iriny Lopes, deputada federal (PT-ES), sobre ações afirmativas e cotas, e comenta o espaço que alguns grupos têm para defender sua posição na mídia.

Na edição de 11 de abril, o jornal O Estado de S. Paulo fala sobre a informatização das escolas públicas e particulares no município de São Paulo, faz uma breve comparação entre os equipamentos disponíveis nos dois universos e traz os posicionamentos de quem é totalmente a favor ao uso amplo desse recurso como instrumentos pedagógico e de quem considera que esse uso deve ser incorporado ao dia-a-dia - sem substituir outros elementos, como a leitura.

O Jornal do Commércio (PE) de 1 o de abril trata a questão da falta de professores para o ensino médio e cita as salas multimídias (TV, vídeo, Internet e material impresso) como instrumentos de apoio para formação a distância.

Salvo os trechos e aspectos das duas notícias citadas acima ( Diário da Manhã e A Tarde on-line ), a maioria das matérias publicadas nesses dois meses sobre educação e comunicação não pauta a discussão da importância para o cidadão de se apropriar das tecnologias da informação ou de refletir sobre o direito à comunicação e sua interatividade com a educação. A realidade levantada por essa análise pode levar à constatação de que os profissionais do jornalismo e da educação não consideram que essa discussão seja do interesse de outros cidadãos que não façam parte desses segmentos profissionais.

Várias organizações não governamentais, universidades e instâncias governamentais reconhecem a importância das relações entre educação e comunicação, e a mídia como um espaço educativo. Pautar o tema de maneira qualificada, de forma que leve a uma reflexão sobre as diversas maneiras como ele pode ser pensado, é uma contribuição fundamental para estimular o censo crítico dos leitores.

Confira o clipping das matérias analisadas para esta edição.

 

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