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Interface entre educação e comunicação ganha espaço nas pesquisas acadêmicas

A relação entre educação e comunicação vem ganhando espaço nas universidades e pesquisas acadêmicas. Quem faz essa constatação é Rosa Maria Bueno Fischer, jornalista, professora da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e coordenadora do grupo de trabalho que discute esse tema dentro da Anped – Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisas em Educação. “Durante muito tempo esse foi um assunto marginal, de tal maneira que a Anped existe há quase 30 anos e criou esse GT por volta de 10 anos atrás. Mas hoje a relação entre educação e comunicação não pode mais deixar de ser reconhecida como importante”, afirma.

Ela observa uma tendência de crescimento das pesquisas relacionadas às novas tecnologias da informação, às linguagens digitais e seus usos na formação de professores. Essa constatação pode ser comprovada observando-se que dos 47 trabalhos enviados ao grupo de trabalho para serem escolhidos e apresentados na 28 a Reunião Anual da Anped, a ser realizada em outubro deste ano, 25 abordavam esse tema. Ela, entretanto, revela uma preocupação com o igual crescimento da “instrumentalização” das novas tecnologias na educação. “Sou radicalmente contra a idéia de que se revoluciona a educação tendo disponíveis instrumentos técnicos. A presença da mídia na sala de aula não transforma por si só as relações autoritárias entre professor e aluno, como algumas pessoas chegam a defender. Na minha opinião, a formação do professor deve acontecer para que ele seja um comunicado melhor, mas isso não implica necessariamente o uso da parafernália tecnológica”.

Outra grande parte dos textos enviados este ano ao grupo de trabalho fazia a discussão conceitual e filosófica da relação entre educação e comunicação. “Vejo também que as pesquisas sobre análise de mídia e recepção midiática vêm crescendo, e muitos destes trabalhos relatam experiências escolares, seja de leitura crítica da mídia ou de produção midiática de alunos”, completa Rosa Maria.

Discutir e praticar

Na área acadêmica da comunicação, a Compós – Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação dedica um de seus 12 grupos de trabalho aos estudos de mídia e recepção. Recentemente o GT vem dando mais destaque à articulação entre comunicação e educação por meio dos estudos empíricos sobre recepção.

Sylvia Magaldi, pesquisadora que estuda a interface entre televisão e educação, destaca entretanto que as iniciativas de leitura crítica de mídia, por exemplo, ainda são muito pontuais e pouco sistemáticas. “O problema está em levar esses estudos ao chão da escola. A não ser por raríssimas exceções, essas iniciativas não ocorrem na área pública e não chegam ao espaço escolar”, afirma.

A professora da UFRGS concorda que “há muito pouco uso nas escolas – tanto de ensino fundamental, mas principalmente de ensino médio, que estão mais preocupadas em preparar o aluno para o vestibular – das discussões teóricas e pesquisas sobre leitura crítica dos meios de comunicação”. Ela atribui esse fato à formação deficiente dos professores, que não seria trabalhada de forma contínua por parte das universidades e dos municípios. “Os professores se sentem muito pouco preparados. Eles, assim como todos nós, também são espectadores. Entretanto, as categorias ‘professor' e ‘espectador' ficam totalmente separadas. Quero dizer, como espectadores eles não são pessoas tão críticas e como professores adotam posições moralistas, acham que precisam apenas criticar os conteúdos dos meios de comunicação, e não conseguem utilizar esses meios no processo de aprendizagem”.

A necessidade de as universidades oferecerem suporte teórico e metodológico aos atores sociais (como educadores, alunos e organizações não governamentais) é uma preocupação do Núcleo de Comunicação e Educação da USP. Como é aprofundado no texto “Afinal, o que é educomunicação?”, elaborado a pedido do Observatório da Educação, o professor Ismar de Oliveira Soares defende que as iniciativas de interface entre essas duas áreas criaram um “novo campo de intervenção social”, a educomunicação, que possui conceitos e práticas próprios e precisa ser estudado e pesquisado.

 

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