MEC financia projeto de educomunicação mas política para área não fica clara
É fundamental entender como o Ministério da Educação pensa as conexões entre comunicação e educação, e detalhar quais as suas atividades nesse campo. Entretanto, apesar dos insistentes pedidos do Observatório da Educação à assessoria de comunicação do MEC, não obtivemos resposta até o fechamento desta edição. Desse modo, é possível destacar isoladamente algumas atividades que o Ministério vem promovendo e financiando, mas torna-se difícil compreender como elas se relacionam e se complementam.
A mais recente delas foi o seminário "Educação na Imprensa Brasileira - responsabilidade e qualidade da informação", realizado em parceria com a ANDI – Agência de Noticias dos Direitos da Infância e Unesco, para discutir os resultados de uma pesquisa ainda inédita que analisa como o tema educação é pautado e tratado pelos principais jornais impressos do País. Camilla Croso Silva, coordenadora do Observatório da Educação, integrou a equipe de consultores da pesquisa. Em geral, constatou-se que houve um aumento do número de reportagens sobre o tema, entretanto a cobertura privilegia as fontes oficiais, enfatiza o ensino superior e abordam temas pontuais. As conclusões do estudo devem ser publicadas ainda este ano.
Em entrevista coletiva durante o seminário, o ministro Tarso Genro afirmou que o evento serviria para deflagrar um processo de diálogo com o Ministério das Comunicações, na tentativa de formular estratégias que articulem as duas áreas, principalmente no que diz respeito a projetos de capacitação dos profissionais de comunicação dos órgãos públicos de produção de informação e projetos de educação para os meios e a leitura crítica da mídia.
Educom no Centro Oeste
Em 2003 o Programa Rádio Escola, ligado à Secretaria de Educação à Distância do MEC, iniciou o Projeto Educom Rádio Centro-Oeste, implementado em escolas urbanas, rurais, indígenas e quilombolas de Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul em convênio com as secretarias estaduais de educação. Para introduzir o conceito e os procedimentos da educomunicação, a parceria com o Núcleo de Educação e Comunicação da ECA-USP, que já estava envolvido com o projeto Educom.Rádio em São Paulo, previa a realização de cursos semi-presenciais com 140 professores de setenta escolas envolvidas.
Tendo em vista que a compra dos equipamentos não foi feita no prazo previsto inicialmente, o material começou a chegar nas escolas no início deste ano. As produções radiofônicas das escolas que já receberam os kits podem ser acompanhadas no endereço
www.educomradio.com.br/centro-oeste/producao.asp.
Outra ação, menos conhecida e que perdeu espaço dentro do Ministério, é a Rede de Comunicadores pela Educação. Entre 1997 e 1999, foram organizadas oficinas de formação, com radiocomunicadores das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, com o objetivo de incentivar o controle social das políticas de educação e materializar a importância da família e da comunidade no acompanhamento da educação escolar de crianças e jovens. Entre 2000 e 2003, a Rede ficou desarticulada, porque o convênio com o Banco Mundial, que financiava a iniciativa através do Fundescola - Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, terminou.
Na gestão do então ministro da educação Cristovam Buarque, a iniciativa foi retomada, e dos 2.500 radialistas que haviam participado da primeira etapa 600 se interessaram em continuar na Rede. Segundo Ana Luisa Zaniboni, diretora da Oboré Projetos Especiais, entidade que participou das etapas de formação com os radialistas, ao retomar as atividades, além de discutir o conceito de educação presente na Lei de Diretrizes e Bases e nos Parâmetros Curriculares Nacionais, o objetivo da Rede era “aplicar o conceito de rádio como espaço educativo e os radialistas também como educadores”.
Apesar dos insistentes pedidos do Observatório da Educação para conhecer os detalhes do funcionamento da Rede e saber como ela poderia estar articulada a outras iniciativas que relacionam comunicação e educação, não obtivemos resposta da assessoria de comunicação do MEC e da coordenação da iniciativa. A leitura do endereço eletrônico da Rede, entretanto, deixa a impressão de que se trata apenas do envio de um boletim com arquivos em áudio sobre as iniciativas do Ministério. Não há relato de participação e de troca dos radialistas, como poderia se esperar de uma articulação em rede.